Minha História com o Mini Cooper (ou sem ele)

16 04 2009

E não é que eu fui convidado para o lançamento do novo carro da BMW?

Mini Cooper da BMW

O engraçado é que durante muito tempo, eu com minha mente de nerd, sempre imaginei que para o Brasil um carro pequeno, compacto, simples, leve e barato fosse muito bom. Sempre pensei que para mim que morava sozinho, um carro desses ia ser perfeito! Eu só ia precisar sair de casa para ir à faculdade, ao mercado e para as festas e baladas. O melhor de um carro desses é que eu não ia ter problema com estacionameto ou balisa, principalmente aqui em Curitibna.

Não sei o que acontece com Curitibanos quando estacionam, mas eles sempre deixam um espaço na frente e atrás do carro suficiente para um veículo, mas nunca para o carro que você está dirigindo. É o tipo de espaço que, se o motorista tivesse bom senso, ele deixaria ou na frente ou atrás e caberia facilmente mais um carro, mas não, ele ocupa DUAS vagas.

Com um carro desses, pequeno e ágil, eu não teria esse problema.

Foi quando em 2003, enquanto estava na Oktoberfest em Blumenau, resolvi ir ao cinema. Estava em cartaz um filme com atores que gosto muito, como Donald Sutherland e Edward Norton, além da maravilhosa Charlize Theron, por quem me apaixonara uns anos antes quando vi Advogado do Diabo. Mas, é claro que na época não podia falar nada, pois estava namorando. Agora que estou solteiro, posso dizer livremente o quanto admiro e aprecio seu talento.

Mas a história era sobre a Oktoberfest. Esse filme que fui ver, com minha namorada que havia ido comigo para a Oktober, era The Italian Job, conhecido aqui no Brasil como Uma Saída de Mestre. Esse filme conta a história de um grupo de ladrões que resolve assaltar um banco em Venesa e conseguem muito, mas MUITO dinheiro. Todos tinham grandes planos, mas no final, um desses ladrões roubou os outros e ficou com todo o dinheiro e todos os planos e sonhos dos outros ladrões.

Foi então que esse grupo, liderado por Mark Walberg (numa atuação que não chamou muito a atenção, diga-se de passagem) junto com a maravilhosa Charlise Theron e os outros ladrões, conseguiram roubar de volta o dinheiro roubado pelo primeiro ladrão, interpretado por Edward Norton. De tanto que eles roubaram, esse filme poderia ter se chamado no Brasil “Ladrão que Rouba Ladrão…” ou simplesmete “100 anos de perdão” que com certeza o brasiliero iria entender o recado.

Mas, além da trama emocionante e da maravilhosa Charlise Theron (eu não vou cansar de dizer que ela é maravilhosa, porque ela é e ponto), uma das coisas que mais me chamou a atenção foram os carros que eles usaram. Pela primeira vez eu vejo um filme que pensa na praticidade na hora de roubar e não no estilo. Todos os outros filmes de ladrões que viamos, como 60 Segundos, mostram ladrões com carros estilosos. Mas esses ladrões precisavam de carros pequenos e leves. Para quê? Para andar em corredores das casas e descer escadas do metrô.

Foi então que eu conheci o Mini Cooper. E vi que realmente aquele carro que eu tanto sonhara, pequeno, ágil, simples, leve, que pudesse subir e descer as escadarias da Santos Andrade, realmente existia! Mas não no Brasil. Mas por quê? Será que as grandes montadoras achavam que o Brasileiro só gostava do Gol e carros desse tipo?

E pensei que talvez as montadoras construíssem perfis de seus usuários em diferentes países. As montadoras estadunidenses, como a GM e a Chrysler, faziam para os Estados Unidos carros muito grandes e pouco econômicos, enquanto esses carros menores eram feitos para a Europa. Para o Brasil, tínhamos os carros populares como o Gol, o Pálio, o Celta e outros carros desses que se parecem entre si. Mas mesmo assim, para mim, ainda não fazia sentido não termos carros compactos aqui no Brasil!

Mais Charlise Theron, só pra constar

Mas, não é preciso esperar mais. Porque a BMW resolveu lançar este mês o Mini Cooper em território Tupiniquim! É claro que ela não vem com a maravilhosa Charlise Theron ou alguma mulher que se pareça com ela, mas mesmo assim é uma ótima notícia!

Mas, como nem tudo são rosas, essa excelente notícia vem com uma má notícia: o preço aqui no Brasil desse carro mais do que maravilhoso chega perto de espantosos (e nem um pouco maravailhosos) R$100 mil (cem mil reais)!! Com esse preço, dificilmente poderia adquirir um de meus sonhos de consumo.

Mas, como nem tudo são espinhos, não sei como, mas eu consegui ser convidado para participar do lançamento do Mini Cooper aqui em Curitiba! Então, por mais que eu não possa adquirir um carro desses, vou poder chegar MUITO perto deles.

Realmente, eu não sei como foi que ganhei, só sei que eu fui o quarto nome confirmado de 12 escolhidos via Twitter. Durante o dia, recebi várias indicações de pessoas que achavam que eu merecia ir nesse evento. A todos vocês, meu grande obrigado! E, quando cheguei em casa de noite, depois de um longo dia de trabalho e reuniões, enquanto estava no Twitter, resolvi entrar na brincadeira. Fiz minhas indicações e mandei um Twit pra organização do evento dizendo:

@MINICooper_BR Se eu puder fazer uma campanha pra minha indicação, tenho podcastS e blogS e sempre uso o #N95 pra Twittar! =D

E não é que deu certo? Minutos depois disso recebi a confirmação de que meu nome estaria na lista de convidados! Antes de mim, haviam sido confirmados os nomes do Alottoni e do Azaghâl, do Jovem Nerd e um cara de Joinville que tem um blog de carros. Não sei o que eles usaram como critério, mas aposto que dizer que uso meu N95 ajudou. O mais legal é que depois de mim, os nomes indicados todos foram todos do Curitiblogs! Então estarei lá entre amigos…

É por isso que enquanto estiver lá vou, além de twittar as novidades, twitpicar as fotos que tirar de lá e também ou aproveitar para gravar minhas impressões e lançá-los como episódios do Projeto Ouça Bem!

Então, se vocês quiserem saber novidades do lançamento, fiquem de olho no meu Twitter @passis e depois aqui com os podcasts que irei lançar. E também, assim que conseguir, vou lançar no Nerd Curitibano, um review técnico sobre o Mini Cooper, já que vou ter visto ele de perto e talvez feito um test drive. Mas pelo menos terei várias fotos! E quando fizermos um NerdExpress sobre carros, vou poder contar mais sobre a minha experiência com o Mini Cooper.

O evento é amanhã, 16 de abril, a partir das 19hs. Então, fiquem espertos e acompanhem as novidades! E visitem o site oficial para mais informações.





Hollywood não se cansa do Mito do Herói? Que saco.

17 03 2009

Semana passada assisti Força Policial, chamado aqui pelas distribuidoras como “A Tropa de Elite americana”. Pride and Glory, como é chamado em inglês, é pra ser um filme sobre a polícia de Nova York, mais especificamente sobre alguns policiais do 31º Distrito que se vêm envolvidos em uma crise de corrupção que está prestes a vir à tona. Se a história realmente seguisse a linha de Tropa de Elite e girasse em torno dessa trama principal, com o elenco que eles reuniram (que conta com nomes como Edward Norton e Colin Farrel) e com algumas cenas realmente muito boas que eles produziram, esse filme tinha de tudo pra ser um enorme sucesso. Mas acontece que Hollywood ainda insiste em usar o tão manjado Mito do Herói, que sempre funcionou e sempre vai funcionar. Mas chega uma hora que cansa, né?

Aos que me perguntam: mas o que raios é esse mito do herói que você tanto fala? Bom, vou tentar resumir bem resumidinho pra ver se faz algum sentido.

Um grande mitólogo chamado Joseph Campbell, junto (num mesmo momento, mas não juntos) com um psicólogo e psiquiatra chamado Carl G. Jung, desenvolveram uma teoria psicológica baseada no desenvolvimento dos mitos. Segundo eles, os mitos refletem padrões psicológicos típicos a todos os humanos, os Arquétipos. Esses arquétipos são padrões típicos de comportamento que falam das situações típicas da vida humana, como nascimento, morte, desfios, crise, maternidade, fome, desejo, depressão, alegria, entre vários outros. Na verdade, pra cada situação típica que você conseguir pensar, você consegue relacionar isso a um arquétipo. E pra cada arquétipo, existe um mito ou padrão mítico que fala sobre essa experiência. Esse padrão mítico é conhecido como mitologema.

Então podemos falar do mito de Hércules, de Aquiles, de Édipo, de Sansão, de Sigfried e de quem mais for. Todos esses mitos diferentes que contam histórias diferentes sobre pessoas ou personagens diferentes, todos eles seguem um mesmo mitologema ou tema mítico, o do herói. Esse mitologema tem uma estrutura muito semelhante, ele fala de uma jornada que necessariamente tem alguns passos a serem seguidos.

A começar, o herói tem algumas características. Uma delas é a do “duplo nascimento” ou da “dupla filiação”. Isso quer dizer que o herói necessariamente tem dois pais ou duas mães ou dois nascimentos. E isso pode se dar de várias formas. Hércules, por exemplo, é filho de Zeus com Alcmene, mas ele também tem um pai mortal, Anfitrião. O Super-Homen também tem isso, ele é filho do pai criptoniano Jor-El e do pai terreno Jonathan Kent. O mesmo acontece com Jesus de Nazaré, que é filho de Deus e de José. Além de ter dois pais (ou duas mães), o duplo nascimento pode acontecer por um segundo nascimento, devido a algum evento importante, como uma iniciação numa ordem secreta, ou sobreviver a um grave acidente, como aconteceu com o Batman, que viu seus pais serem assassinados na sua frente; esse evento traumático serviu como um segundo nascimento para Bruce Wayne. O duplo nascimento é o que diferencia o herói dos outros mortais, pois ele garante ao herói um status de quase-divindade. E é por isso que as histórias dos heróis são tão emocionantes pra nós, já que eles podem um pouco mais do que nós meros mortais e nos servem de exemplo.

Além de ter um nascimento diferente, o herói passa por uma jornada complicada. Ele inicialmente descobre que é diferente e por isso precisa trilhar um caminho diferente. É então que ele começa sua jornada enfrentando perigos que muitos não ousariam enfrentar. Estamos falando de monstros e vilões e bruxas e seres de outros planetas e cientistas malucos e demônios e coisas que nós meros mortais não enfrentamso. Acontecem muitas coisas em sua jornada e ao final acontece algo chamado de redenção do herói, que é quando ele percebe que ele chegou no seu ápice, já se mostrou maior que tudo e todos, mas que agora ele precisa voltar para a sociedade e devolver tudo aquilo que ou ele tirou dela ou ela deu a ele. É um momento onde o herói se descobre humilde e humano, como todos os outros e é então que ele se torna sábio. Muitas vezes, esse momento acontece na morte do herói, que é quando ele reconhece sua finitude, que ele chegou ao fim e que ele não é mais tão “super” quanto acreditava.

Se você parar pra pensar, essa é a estrutura básica de mais da metade das histórias que conhecemos, seja elas das HQs dos super-heróis, ou dos desenhos animados ou dos filmes de Hollywood. Até aí, tudo bem. Mas acontece que Hollywood já conseguiu mostrar que consegue fazer histórias muito boas sem precisar recorrer a esse mitologema, a essa estrutura típica. Aliás, o cinema mundial conseguiu mostrar isso. O próprio Tropa de Elite é um filme que mostra um herói decadente, que no final ele não se redime, no final ele se encontra dentro de sua própria força!

Existem vários outros modelos que só dependem da nossa imaginação. É claro que o mito do herói fala bastante para nós, pois ele fala da nossa condição humana, da construção da nossa identidade social. Mas, sinceramente, hoje em dia sabemos que nossa vida não se resume só à nossa identidade social. Nós temos nossas crises, nossos problemas, nossos conflitos internos, nossos sonhos e muito mais coisas que fogem do simples padrão do mito do herói. E acho que é isso que Hollywood não entendeu até agora.

O filme Pride and Glory conta, de novo, o mito do herói. Pra não soltar spoliers, basicamente o nosso herói (que tem duplo nascimento, pois seu pai, além de ser seu pai biológico, é policial, ou seja, ele nasceu para a vida e para a polícia) precisa enfrentar uma jornada onde ele se depara com a realidade de sua vida. E a jornada não é fácil, pois ele precisa fazer escolhas difícies, mas no final ele se redime e vai buscar justiça e não vingança. Justiça é a vingança para a sociedade e vingança é a justiça pessoal. Ou seja, nosso herói prefere se redimir para a sociedade do que buscar a glória pessoal. Novamente, Hollywood se utiliza da resolução do conflito do mito do herói e não consegue se renovar!

Eu poderia pensar em vários finais alternativos para a história, entre eles, do nosso herói bonzinho desde o começo perceber que a polícia é corrupta e que não existe redenção e se entregar à corrupção. Ou ainda, dele perceber isso e resolver se aposentar antes da hora. Ou ainda, de ele ser condenado por algo que ele não cometeu, pois ele, ao tentar ser bonzinho, os outros policiais acabam entregando o herói da história que não faz nada pra não incriminar seus amigos e parentes, ele vai pra cadeia e é morto pelos outros bandidos que pensam que foi ele quem matou ou foi responsável pela morte do vilão-mor. Então todos se esquecem desse herói perdido e a vida continua, pois a sociedade toda está corrupta e não adianta a ação de um herói solitário para redimi-la.

Essa mesma trama principal poderia ter seguido vários outros caminhos. E qualquer caminho que ela seguisse, com certeza teria sido muito melhor do que o rumo que ela seguiu. Esse filme foi muito ruim e muito fraco e não traz nada de novo para nenhum espectador ou para qualquer pessoa que pelo menos tem o costume de ler ou ver filmes de vez em quanto. Ou até mesmo pra quem se lembra dos contos-de-fadas que ouviam quando crianças! Assitam só se vocês quiserem ver algumas poucas cenas de ação e violência gratuita e uma cena de abertura de alguns minutos em take único sem cortes (esse foi o ponto alto da produção do filme). De resto, esqueçam Força Policial e assistam de novo Tropa de Elite. Capitão Nascimento deixa toda a polícia de Nova York no chinelo!

E espero que esse filme sirva pelo menos para percebermos que o mito do herói já não funciona mais como funcionou antigamente e que hoje precisamos procurar um novo mito para nossas vidas… mas que mito seria esse? Bem, isso é um assunto para um outro artigo…