Alquimias da vida…

12 12 2008
Escrevo isto numa primeira tentativa de diário. Então desde já peço perdão por qualquer imprecisão, ou até mesmo pelo grande tamanho do texto, pois afinal, é meu primeiro e uma verborragia inicial é sempre esperada. Realmente preciso começar a escrever. Tenho muita coisa presa que precisa se expressar…

Comecei a fazer isso no meu fotolog, mas lá tenho uma dificuldade que é encontrar imagens apropriadas para as palavras que quero escrever. Se eu tivesse uma máquina digital, tudo seria muito diferente… E aqui achei que pudesse ser um bom espaço, e estou adorando escrever com essa fonte, que me lembra as antigas máquinas de escrever. Ainda vou ter uma dessas, que ficará ao lado da minha pena, tinteiro e mata-borrão.

Não tenho onde nem como expressar muita coisa, mas tentarei começar por algum lugar.

A confusão é um lugar interessante para se começar. A dúvida, a desconfiança, o desespero, a angústia, o sofrimento, a dor… são todos ótimos pontos de partida. Já se perguntaram porque escritores e poetas e pintores e artistas em geral escrevem ou cantam ou pintam (vocês entenderam) sobre isso? Porque isso é um excelente ponto de partida. O erro está quando isso se torna o objetivo.

Quero fazer uma revelação, embora algumas pessoas já saibam disto. Não, por mais que me chamem de Neruda, eu não sou poeta. Falta muito para eu poder ser poeta. Escrever versos não faz de mim um poeta. Ser poeta é algo mais do que isso. Eu sou um Alquimista. Eu trabalho com a matéria, com a transformação. Minha meta é a metamorfose, a transformação das substâncias, da matéria. Tudo bem que eu trabalho com a matéria dos Sonhos, então posso me considerar um alquimista dos sonhos, ou como ouvi recentemente num filme, talvez um orinonauta (navegador dos sonhos).

A idéia do mar e das navegações sempre me encantou. As fantasias sobre tudo isso me são extremamente fascinantes. Querem me surpreender, criem ou me mostrem alguma criação que misture Sonhos, Fantasia e o Mar que vocês terão minha atenção. Quando vi Mestre dos Mares eu me imaginava lá com eles, indo para Galápagos e descobrindo novas coisas. Quando assisto a Jornada nas Estrelas eu me vejo na Enterprise navegando pelos astros. O mar para mim é mais do que um monte de água. O mar para mim são todas as possibilidades…

Explorar o mar é explorar as possibilidades, os limites da fantasia… Durante muito tempo (talvez até circa 1492 AD), o limite do homem era o Mar. Chegou a época das viagens marítimas e das grandes conquistas além-mar, mas a fantasia continuava. Até então, o mar representava o limite das possibilidades, o Fim do Mundo estava lá, depois dos mares. Mas viemos a perceber que o mar não era tão assustador assim, então o mistério e a fantasia passou a ser as terras além-mar! América não colonizada, os nativos, as florestas, até mesmo a própria África, o continente negro.

(um pequeno parêntesis: isto me lembra de uma frase de Shakespeare em Hamlet: “a morte – o país desconhecido de cujas fronteiras viajante nenhum jamais retorna”)

Mas quando esses territórios já foram conhecidos, passamos a enxergar outros limites, que passamos a chamar de Espaço Sideral (sideral de sideris, estrela, o espaço das estrelas). Temos hoje em dia tantas fantasias sobre o Espaço como nossos ancestrais tinham sobre o mar, pois o Espaço Sideral herdou do Mar essas fantasias, herdou o limite das nossas possibilidades.

Mas o Limite das Possibilidades, antigas ou novas, pessoais ou coletivas, são fantasias também, pois o real limite do humano não está no mar nem no espaço, mas sim nos seus Sonhos… Ouvi um poeta dizer há algum tempo que somos feito não do pó da terra, nem da água do mar, muito menos da poeira estelar, mas da matéria dos sonhos… “Somos todos feitos da matéria dos sonhos”, foram as palavras desse poeta. Então, para mim, a verdadeira possibilidade não é navegar no mar nem navegar no espaço, mas sim navegar nos Sonhos!

Navegar os sonhos é navegar nas nossas reais possibilidades. Navegar os sonhos é encontrar nossas reais limitações. Navegar os sonhos é encarar todas as nossas maiores fantasias!

Mas não sou um navegador… Ainda não, pelo menos… Ainda não tenho minha nau, não tenho minha tripulação, ainda não sou um capitão como Jack Sparrow ou Jean-Luc Picard, os maiores capitães que jamais existiram na realidade, mas que vivem continuamente nos sonhos! Por isso sou um alquimista.

É através da alquimia que navego os sonhos. É através da alquimia que trabalho com a matéria dos sonhos, a mesma matéria que nos faz sermos quem somos. Alquimia, que vem do árabe Al-kimia ou ‘A pedra filosofal’, e isto vem do antigo grego khemia, o nome que eles davam à alquimia, que vem de uma antiga prática egípcia de transmutação de elementos que eles chamavam de Kh’mia que significa ‘Terra Negra’. Ao olharmos para o passado da palavra Alquimia, vemos como ela também transmutou da ‘Terra Negra’ para a ‘Pedra Filosofal’, saiu do Egito e foi parar nas mãos dos árabes, seus maiores mestres.

Hoje em dia é dessa Terra Negra que retiro a matéria prima do trabalho meu alquímico. Toda terra negra é composta principalmente de materiais em decomposição, de coisas podres, mas que são ao mesmo tempo extremamente férteis… Percebem o paradoxo? Aquilo que é podre, que é morto e indica a morte também é a fonte de toda a vida, é de onde começa todo o trabalho do alquimista, pois é aí que começam as transformações, as transmutações…

Todo artífice tem suas ferramentas. Como eu trabalho com sonhos, minha ferramenta é a Fantasia. Fantasia, do grego phantasien que significa ‘mostrar’ ou ‘fazer aparecer’. A fantasia é o que eu utilizo para trabalhar os sonhos, que todos sabem são extremamente escorregadios e tendem a escapar dos nossos dedos. E como faço mostrar esses sonhos? Usando a Arte. Pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeos, filmes, cinema, música, poesia, contos, novelas, culinária, e a lista continua. Outro dia eu falo sobre a Arte. Mas minha principal ferramenta de Arte é justamente a Palavra. Talvez por isso me chamem de Poeta, pois tento extrair das palavras suas almas. Não que eu consiga, mas tento, pois a transformação da obra alquímica é justamente encontrar a essência no meio da aparência, é encontrar a substância no meio do acidente.

Foi o que fiz aqui. Saí de um ponto para retornar a ele, usando as palavras. Dei a volta ao mundo, pois ele se apresentou redondo. Naveguei entre as possibilidades, entre as fantasias das palavras, extraí delas sua essência para mostrar a vocês um pouco do que sou: um alquimista dos sonhos…

Então enquanto ainda não tenho minha tripulação, não sou capitão da minha nau, eu trabalho como alquimista. Mas quem sabe um dia não possa começar, além de transmutar, a navegar esses sonhos todos que nos rodeiam?

Texto originalmente escrito em 30/05/2007


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