Eternidade…

30 12 2008

O asfalto estava especialmente cinza aquela noite. Seus sapatos faziam um som típico quase inaudível mas para ela extremamente perceptível. Foram dados de presente em 1832 pelo duque de qualquer coisa ela não se lembrava mais já fazia muito tempo. Sua única companheira era a lua na verdade a única companheira que ela tinha havia muito tempo. Um dia ela amou.
Mas já faz tanto tempo também. Mas isso ela não esquece foi quando ela sentiu mais calor em seu coração frio e duro. Ele a amava também. Ela nunca imaginou ser possível sentir algo assim principalmente porque ela estava condenada a não amar. Ao menos agora isso é certo.

Ela vê um cartaz num poste anunciando um filme passa rápidamente os olhos e continua. Ela poderia fazer esse caminho de olhos fechados já tantas vezes por ele caminhado. O frio incomodaria as outras pessoas mas não ela já que ela era frio. Sentia sede.

Não havia mais ninguém nas ruas. A final não é seguro caminhar às 4 da manhã nas ruas do centro da cidade. Nunca se sabe quem pode aparecer de surpresa nunca se sabe o que pode acontecer de surpresa. Mas nada mais a surpreendia. O vento soprava e balançava seus longos cabelos negros que acariciavam seu pálido rosto. Delicado. O vento parecia seu amante. Frio e delicado. Ela sentia o vento beijar os seus lábios.

Seus lábios só sentiam algum calor quando ela matava sua sede. Fazia tempo que ela não beijava assim. Ela não sabia mais o que era amor nem calor. Não que ela sentisse falta. Ela sentia sede. Ela queria amar novamente.

Ela já estava sozinha há muito tempo. Não que isso a incomodasse em sua condição é melhor estar só do que ser perseguida constantemente. Praticamente ninguém a entendia mal aqueles que compartilhavam de sua condição. O ritmo de seus passos diminuiu enquanto chegava perto de uma praça. Ela tirou o casaco de seus ombros e jogou-o sobre um banco. Sentou-se ao lado e ficou olhando o céu as estrelas estavam especialmente brilhantes aquela noite sem núvem alguma. Ela conseguia ver através das luzes da cidade. Fazia tempos que ela não via o sol.

Ficou sozinha na praça algum tempo até que avistou ao longe uma menina solitária caminhando a passos rápidos pela calçada. A menina parecia sentir frio e medo aproximando-se da praça viu a linda mulher sentada no banco acalmou-se. Se nada aconteceu com ela não aconteceria com a menina também. Uma sorriu para a outra. A sede aumentou.

A mulher se levanta do banco da praça e caminha em direção à menina. Um sorriso esboça seus lábios mas não é nem um sorriso de alegria muito menos de alívio. Ela queria matar a sua sede já vivera tempo demais para saber como tudo funcionava. Tempos demais. A noite esconderia o que estava começando que logo iria terminar.

O vento sopra mais frio agora que o sol está para nascer. A menina foi deitada atrás do banco da praça protegida dos olhos curiosos que passarão em breve pelas ruas. A linda mulher sentiu novamente o calor em seus lábios por um momento pensou que poderia amar novamente. Era só sua sede sendo saciada. A menina irá viver.

Ela veste novamente seu casaco e caminha para casa. Ela tem pouco tempo. Passos calmos e leves como se flutuasse no ar. O som dos seus sapatos na calçada inaudível. A sombra de uma esquina a cobre.

Originalmente publicado em:  06/06/07


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